Encontro
reflete sobre a ampliação do Ensino
Fundamental para nove anos
Evento
contou com a apresentação de presidentes
e conselheiros de grande prestígio na
área da Educação de São
Paulo, que expuseram suas expectativas e opiniões
sobre a Lei.
Com
o objetivo de contribuir para o esclarecimento
da Lei que amplia o Ensino Fundamental para
nove anos, as Faculdades Integradas Rio Branco
promoveram, no dia 25 de outubro, das 9 às
11 horas, encontro que reuniu educadores de
escolas públicas e particulares, que
contou com a apresentação de presidentes
e membros de Conselhos Estaduais e Municipais
de Educação de São Paulo.
A
Lei 11.114, de 16 de maio de 2005, estabelece
a obrigatoriedade de matrícula no Ensino
Fundamental, para crianças a partir dos
seis anos de idade. Com esse foco, os participantes
apresentaram seus argumentos e o que deverá
mudar após a Lei. Confira, abaixo,
alguns trechos do encontro.
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Na
abertura do encontro, o diretor geral
das FRB, dr. Custódio Pereira,
cumprimentou os presentes e falou um pouco
do encontro. "Um encontro como este, que
traz grandes ícones da educação,
pode ser muito oportuno e vem ao encontro
da angústia de entender a aplicabilidade
da Lei, assim como a necessidade de obter
informações que contribuam
para que os educadores conheçam
um pouco da problemática que os
Conselhos têm nas decisões
dessa matéria".
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Dr.
Custódio (ao centro) fala da importância
de entender a aplicabilidade da Lei 11.114.
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O
Prof. Mauro de Salles Aguiar, conselheiro
e relator do Conselho Estadual de Educação
para esse tema, disse que essa havia sido
sua mais difícil missão,
e discorreu sobre a Lei que obrigará
os pais a matricular as crianças
no Ensino Fundamental a partir dos 6 anos.
" Ninguém discute que é
desejável a ampliação
para nove anos, pois isso já existe
nos países desenvolvidos . Mas,
devemos entender como prioridade não
desorganizar as redes municipal e estadual
de ensino, que estão funcionando
bem. É essencial, também,
não perder a identidade pedagógica
(próxima à educação
infantil), em relação às
instalações e recursos humanos",
explica o conselheiro.
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Diretores
e educadores de escolas públicas e privadas
participam do encontro.
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Já
para o Prof. José Augusto Dias,
presidente do Conselho Municipal de Educação
de São Paulo e de São José
dos Campos, a lei não esclarece
bem como se fará a matrícula
dessas crianças de 6 anos. " A
lei apenas manda matricular. É
preciso esclarecer se o professor da Educação
Infantil poderá lecionar no Ensino
Fundamental. A motivação
original para essa extensão não
foi pedagógica, mas uma reivindicação
para aplicar no Ensino Fundamental, principalmente
nas prefeituras, o Fundef - Fundo de Manutenção
e Desenvolvimento do Ensino Fundamental
".
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Continuando
o encontro, o Prof. João Gualberto
C. Meneses, presidente da Academia Paulista
de Educação, falou da diferença
de ter uma proposta falada e outra praticada,
o que é comum no Brasil. " Nós
temos uma enorme variedade de políticas
públicas de educação, mas
existe uma ambivalência entre o que se
diz e o que se pratica. O Ensino Fundamental
como direito público, estendido a qualquer
idade, é uma política proclamada,
mas nem sempre executada. Ainda temos políticas
indefinidas ou mal definidas, e a lei 11.114
é um exemplo disso". |
Outro
debatedor foi o Prof. Joaquim Pedro Villaça,
membro do Conselho Estadual de Educação,
acredita que estamos diante de um novo processo
educacional. "Nós estamos diante de um
novo desafio que é repensar o sistema
educacional brasileiro. A educação
não pode mais ser uma colcha de retalhos,
pensada em pedaços. Temos que repensar
num país novo, inclusive na educação.
Estabelecer uma lei para todo o país
é não conhecer a realidade brasileira".
Encerrando
os debates, o mediador do encontro, o Prof.
Pedro Salomão José Kassab,
que entre os cargos ocupados, foi presidente
da Câmara de Educação Básica
do Conselho Estadual de São Paulo, deixou
suas palavras a respeito da discussão.
"A questão da escolarização
obrigatória é de responsabilidade
dos pais. Os órgãos estatais não
vão às casas caçar as crianças
para levá-las às escolas. A questão
da escolarização não é
obrigatória desde o nascer, é
um respeito e decisão da família.
Mas é preciso saber, sobretudo, o porquê
desse ano a mais e o que se irá fazer
nele".
Após
as apresentações, os educadores
e gestores presentes fizeram suas perguntas
e colocações e tiraram suas dúvidas,
a respeito da Lei 11.114, que amplia o Ensino
Fundamental para 9 anos e a obrigatoriedade
da matrícula no Ensino Fundamental para
crianças a partir dos 6 anos.